segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Judas, o discípulo traidor

Imagine uma igreja pastoreada pelo próprio Jesus, em pessoa. Não haveria problemas, certo? Errado! Em seu grupo de 12 discípulos, Jesus sofreu com brigas entre os discípulos para saber quem era mais próximo dele, quem era mais importante, mais poderoso; ele teve que refrear instintos assassinos de seus discípulos, teve que repreender discípulos influenciados por satanás, teve que lidar com a incredulidade deles, com a dificuldade para entender suas palavras; e finalmente, na hora em que ele mais sofreu, todos os seus discípulos o abandonaram. Um dos mais íntimos, que havia feito promessas de nunca abandoná-lo, o negou publicamente; e para completar a tragédia, um discípulo o traiu, entregando-o aos que queriam matá-lo!
Vamos falar hoje sobre Judas, o discípulo traidor.

Deus já sabia que Judas seria o traidor. 
Judas já entrou para o grupo de Jesus disposto a traí-lo? Vejamos: ele foi escolhido por Jesus (Lc 6:12-16), e se tornou traidor. Por quê? Vamos ver. Antes, porém, vamos descobrir um pouco sobre quem era Judas Iscariotes.
O nome Judas era bastante comum nos tempos do bíblicos. Há vários Judas mencionados no NT, inclusive um irmão de Jesus, que escreveu a epístola de Judas e outro discípulo chamado Judas Tadeu.
Judas Iscariotes provavelmente era o único discípulo proveniente da Judéia, e não da Galiléia, como os demais. Isto já lhe dava uma distinção entre os 12. Ele também era tido como pessoa altamente confiável, acima de qualquer suspeita, já que Jesus e os 12 o elegeram como tesoureiro do grupo. Jesus confiou nele! Judas certamente era bem preparado intelectualmente, pois Mateus, ex-cobrador de impostos, foi preterido para a função. 
Por que Judas se tornou o traidor? Tudo indica que Judas decepcionou-se ao ver que Jesus não tinha um projeto político-militar para a libertação de Israel, ou seja, seu reino não era deste mundo, era espiritual. Ao ver suas expectativas frustradas, ele então procurou tirar algum proveito financeiro de sua posição. Ao que parece, Judas exerceu ministério apostólico normalmente junto com os outros 11 até o fim. A primeira vez em que Jesus menciona sua traição é em Jo 6:70-71, cerca de um ano antes da crucificação. Em João 6 Jesus frustra claramente os propósitos daqueles que o queriam como um líder político. Talvez tenha sido este o momento da opção definitiva de Judas por trair Jesus. O escritor do Evangelho diz que era Judas, mas o texto não diz que Jesus já sabia que Judas era o traidor. Jesus sabia que havia um traidor. Mesmo depois de identificar o traidor, Jesus nunca o mencionou diretamente. Somente na hora da última ceia, Jesus aponta Judas como o traidor, mas ainda assim indiretamente, e os discípulos nem desconfiam. 
A traição: Mt 26:47-50

Então, o que fez de Judas um traidor? 
1. As expectativas erradas a respeito de Jesus. 
2. A motivação errada: lucro financeiro. Judas tinha sérios problemas de caráter, pois roubava do dinheiro da tesouraria do ministério. E na hora da traição, ele o fez por dinheiro. Judas amou mais o dinheiro do que ao Senhor. Jo 12:1-8
3. A influência maligna. Note porém que satanás só entra em Judas após sua decisão. Como Caim, que matou a seu irmão, Judas não foi capaz de dominar seu pecado. O que era influência virou possessão (Mt 26:14-16 / Lc 22:3-6 / Jo 13:2; 21-30).

O mais triste a respeito de Judas é que ele nunca se arrependeu. (Mt 27:3-8). Com o dinheiro pago por Jesus, foi compro um terreno que virou cemitério, e Judas parece ter sido o primeiro morador do lugar (At 1:17-19), após uma morte horrenda.  

Uma pergunta incômoda: o que aconteceu com Judas pode acontecer conosco? Será que eu sou um traidor? Quem faz esta pergunta já sabe a resposta (Jo 13:21-30 / Mt 26:21-22). Pois ou eu sou um discípulo que teme a possibilidade de trair o Mestre, ou em meu coração, eu já sou um traidor. O fato é que eu posso vir a ser um traidor.
Por isto precisamos estudar a Palavra, para aprender com os heróis e com os anti-heróis. Precisamos hoje rever nossas expectativas, nossas motivações e nossas influências. O que esperamos do Senhor? O que nos motiva a seguir o Senhor? Quem dirige nossas decisões e atitudes? Ou somos verdadeiros discípulos, ou somos traidores. 
Acima de tudo, que Deus nos dê um coração como o de Pedro, que se arrependeu, e não sejamos como Judas, que só sentiu remorso.

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