terça-feira, 19 de outubro de 2010

ROMANOS 9 A 11

Este é um dos trechos mais complexos de toda a Bíblia.
O capítulo 9, se mal interpretado, se lido superficialmente, e tirado de seu contexto, pode levar alguém a acreditar que Deus arbitrariamente escolhe alguns pra serem salvos e outros para se perderem.
Paulo começa dizendo que se fosse possível, ele até abriria mão de sua salvação para salvar o povo de Israel. Somente ele e Moisés expressam este tipo de amor a seu povo em toda a Bíblia, além de Cristo, é claro (Ex 32:32). Mas Paulo mostra afinal que Israel perdeu o propósito de Deus porque rejeitou o Messias, Cristo, e confiou em suas obras, na prática da lei, para serem aceitos por Deus (9:30-33). Este é o tema da carta, a justificação pela fé versus a justiça da lei. Portanto, fica claro que, embora Deus faça escolhas em seus propósitos para com a humanidade (por exemplo, Ele escolheu Israel como seu povo no AT) porque Ele é soberano, e não tem que explicar nada a ninguém, mas também fica claro que as escolhas de cada indivíduo, e de cada nação, é que determinam de fato seu relacionamento com o Senhor (10:3).
Uma coisa precisa ficar claro: Paulo demonstra em Romanos que toda a humanidade (judeus e gentios) é pecadora, e portanto, merecedora da ira de Deus. Ao mostrar misericórdia a alguém, Deus está dando algo não merecido, e isto é prerrogativa dele. Não mostrar misericórdia a alguém é simplesmente deixar este alguém em sua condição natural, não é injustiça da parte de Deus.
No capítulo 10:1-2, Paulo mostra como orava e desejava a salvação de seu povo, que tinha zelo por Deus, mas de forma errada. Ora, o próprio Paulo no passado fora assim, zeloso da maneira errada. Esta é uma lição importante pra nós, que pertencemos a um povo que também é bastante religioso, zeloso das coisas espirituais, mas de formas tão erradas! Será que amamos e oramos por nossa nação como Paulo fazia pela sua?
No capítulo 10, versos 9 e 10 encontramos a fórmula da salvação: crer e confessar o Cristo ressuscitado como Senhor!
Os belos versos 14 e 15 enfatizam a necessidade de pregarmos o evangelho, de dar a oportunidade a todos para que nele creiam. Entretanto, Paulo alerta para o fato de que nem todos crerão, assim como Israel não creu, e mais uma vez justifica porque eles foram rejeitados por Deus: por causa de sua incredulidade (vs. 16 e 21). Entretanto, o apóstolo deixa claro que nem todos foram rejeitados, apenas os que não creram (11:1-6); e mais, Paulo explica que o fato de os judeus rejeitarem o Evangelho abriu a oportunidade pra nós, gentios, o conhecermos, e mostra que nossa salvação está baseada nas promessas feitas a eles, como se eles fossem a raiz de uma planta, e nós, ramos que foram enxertados (17-24). Esta analogia deixa claro também que nós, os que cremos, se não permanecermos na bondade do Senhor, também seremos cortados, assim como os que foram cortados, se abandonarem a incredulidade, podem ser enxertados novamente. Mais uma vez se confirma que a escolha do homem é que determina seu destino, já que o propósito de Deus pra todos é o que está em 11:32. Em Atos vemos como Paulo começou seu ministério priorizando os judeus, mas estes, de modo geral, rejeitaram o Evangelho. Então o apóstolo voltou-se para os gentios (At 18:6 / 28:28).
É interessante observar que em 11:12-15, Paulo se dirige a nós, gentios, os não-judeus, pra chamar nossa atenção para o fato de que se a rejeição de Israel trouxe bênção pra nós, imagine então quando eles crerem em massa no Evangelho! Se um pequeno número de Israelitas que creram já trouxe o evangelho pra tanta gente, imagine se a nação se convertesse!
O relacionamento de Deus para com Israel é resumido em 11:28-29. Paulo mostra que por não crerem no Evangelho, os judeus são inimigos, e isto por nossa causa, isto é, a rejeição deles abriu a porta da graça pra nós; mas quanto à eleição, eles são amados de Deus por causa dos patriarcas, Abraão, Isaque e Jacó, de quem são descendentes, pois Deus os escolheu, e seu chamado e seus dons são irrevogáveis! Este é um princípio válido para todos nós, ou seja, o chamado e os dons de Deus são irrevogáveis em nossas vidas também.
O capítulo 11 termina com o hino de adoração de Paulo, que não se contém, e exalta a maravilhosa sabedoria do Senhor, que é a fonte, a sustentação e o fim de todas as coisas.
Ler o capítulo 12.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

ROMANOS 8

O capítulo 8 de Romanos é o ponto alto da epístola. Os capítulos anteriores preparam pra ele, e os restantes, que tratam da conduta do cristão, usam-no como alicerce. Como este capítulo trata da vida no espírito, os capítulos que se seguem, e que tratam da conduta, pressupõem que o cristão é capaz de viver em santidade, não mais por causa da lei, mas por causa do Espírito que nele habita.
O capítulo começa afirmando que, se estamos em Cristo, já não há mais condenação pra nós. Estamos livres, por causa de Cristo! Os versos 3 e 4 explicam que aquilo que a lei não foi capaz de fazer (produzir justificação e vida), Cristo fez, ao viver uma vida semelhante à nossa, mas sem pecado, e ser oferecido como oferta por nosso pecado. Em Cristo, podemos ser livres daquela contradição que Paulo mostra no final do capítulo 7, e da nossa escravidão ao pecado.
A partir daqui, Paulo faz o contraste (vs 5-8) entre a vida na carne (na força humana, sem a dependência de Deus) e a vida no espírito (aquela que é vivida na dependência do Deus que vive em nós).
Viver segundo a carne é colocar a mente no que a carne deseja; viver no espírito é colocar a mente no que o Espírito deseja. A mentalidade da carne é inimiga de Deus e produz morte, enquanto a mentalidade do Espírito produz vida e paz. Quem vive na carne não pode agradar a Deus. Lendo Rm 8:8 junto com Hb 11:6, aprendemos que um dos aspectos da carnalidade é a incredulidade. É viver preso ao mundo dos sentidos, é não dar crédito ao que Deus diz, e ao que o Espírito Santo nos guia. Veja uma descrição de Paulo sobre o andar por fé em II Co 5:7.
Paulo explica que estar sob o domínio do Espírito é a condição para ser de Cristo e também a chave para viver por Ele. Na verdade, é o Espírito quem garante que somos de Cristo (v. 9); ele é a garantia de que seremos ressuscitados e transformados (v.11); é pelo Espírito que vencemos os desejos pecaminosos de nosso corpo (v.13); é o Espírito quem nos guia em nosso relacionamento com Deus (v.14); é o Espírito que nos assegura que somos filhos de Deus, e herdeiros dele, e nos dá a intimidade de viver sem medo, e chamá-lo de Aba (vs. 15-17); e pulando alguns versículos, é também o Espírito de Cristo quem nos capacita a orar (v. 26)!
Os versos 18 a 25 mostram que não é apenas a humanidade que sofre com o cativeiro imposto pelo pecado, mas toda a criação. A criação geme, aguardando que nós, os filhos de Deus, sejamos revelados. Isto se aplica literalmente ao momento de nossa ressurreição, mas podemos também imaginar o quanto o mundo precisa que nós, os filhos de Deus, vivamos a vida que o Filho Jesus viveu.
A partir do verso 28, Paulo enumera as maravilhas decorrentes do fato de sermos filhos de Deus. Este é o ápice do capítulo, e provavelmente de toda a Bíblia. Mas começa com um dos versos mais citados, e mais mal interpretados de toda a Bíblia. É comum as pessoas, diante de qualquer situação, “citarem” Rm 8:28 mais ou menos assim: “bem, irmão, tudo coopera”. Espera aí! A condição para que tudo coopere para o seu bem é que você seja um dos que foram chamados segundo o propósito do Senhor, e tenha respondido a este chamado, tornando-se um dos que o amam!
Junto com Rm 8:28, temos também o verso 37, como um dos campeões de citações distorcidas. As pessoas costumam citar Rm 8:37 pra se autodeclararem como mais que vencedoras, geralmente nas áreas que as interessam, como vida profissional, finanças etc, desejando uma vida sem problemas. Mas note que Paulo diz que somos mais que vencedores “em todas estas coisas”. Que coisas? As dos versículos 35 e 36! Antes de concluir, quero mostrar mais um texto que é muito distorcido: Fp 4:13. Tudo posso naquele que me fortalece não significa que serei sempre o número 1, o que está por cima, o que não tem problemas, nem muito menos que posso fazer o quiser. Significa que posso passar por tudo que está em Fp 4:12!
Voltando a Rm 8, o verso 29 afirma que fomos chamados para sermos semelhantes a Jesus! Sermos conformes à sua imagem, significa tomarmos a forma dele, sermos como ele. Esta é a razão de tudo que vivemos, de tudo que Deus está fazendo em nós: ele deseja que sejamos como seu filho!
Terminaremos lendo os versos 38 e 39, a maior declaração de amor que Deus poderia fazer a nós: nem a morte, nem a vida, nem anjos ou demônios, nem o que vivemos hoje, nem o ainda virá, nem qualquer poder ou coisa na criação poderá nos separar do amor dele, em Cristo! Que segurança temos! Nenhum relacionamento, nada nem ninguém pode ser tão estável e seguro!

Pr.Onésimo Ferraz

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

ROMANOS 6 e 7

O capítulo 6 começa com a pergunta óbvia para a lógica humana: se onde o pecado aumenta a graça transborda, quer dizer que podemos pecar à vontade então, pois sempre seremos abençoados pela graça? Paulo responde a esta pergunta carnal com veemência, introduzindo um novo conceito teológico importantíssimo: o da inclusão. Ele explica que, pela fé, não apenas fomos justificados, redimidos e reconciliados com Deus, mas fomos incluídos na morte e na ressurreição de Jesus. É esta a simbologia do batismo (vs: 2-6): morremos, somos sepultados e ressuscitamos para uma nova vida! Ora, se morremos para a velha vida, então não devemos mais nada a ela. O verso 2 argumenta: não podemos mais viver pecando, pois morremos pra o pecado! E no verso 11, Paulo arremata: “considerem-se (saibam que vcs estão) mortos para o pecado, mas vivos para Deus”!
Ao longo do capítulo 6, Paulo ilustra seu ensino com dois exemplos: o da escravidão, e o do casamento.
Para começar, leiamos o verso 14, onde o apostolo deixa claro que não estamos debaixo da lei, mas da graça, por isto o pecado não nos dominará. E então, ele começa a usar a metáfora da escravidão. No passado, éramos escravos do pecado, e colhemos apenas dor e vergonha, como fruto de nosso procedimento. Agora, porém, somos escravos da justiça (18). Enfim, trata-se de uma escolha de a quem vamos obedecer: o pecado, ou a obediência a Cristo. Se escolhermos o pecado, temos um salário garantido: a morte. Se porém escolhermos obedecer a Deus, ganharemos um presente maravilhoso: a vida eterna (23)!
No capítulo 7, Paulo, ansioso por deixar estas verdades bem claras, usa outro exemplo bem poderoso aos que conheciam a lei de Moisés: o casamento. Nos versos 1 a 6 ele demonstra como ao crer, morremos para a Lei, ou seja, não estamos mais ligados a um cônjuge tão cruel e inflexível (a Lei), mas a um novo marido, maravilhoso, libertador, que é Cristo. Tentar ser santo e agradar a Deus através da Lei é tarefa impossível, como todos nós já percebemos; mas com Cristo sendo Senhor em nossas vidas, somos finalmente livres para sermos santos, não mais pelo esforço próprio, mas pela atuação do Espírito de Cristo em nós. É realmente como ficar viúvo de um cônjuge mau e escravizador, e casar com uma nova pessoa que é exatamente o oposto!
Bem, isto leva o leitor a outra conclusão que é simplesmente lógica: então a Lei é uma coisa horrível, afinal por que Deus a inventou?! Paulo prevê e refuta este raciocínio nos versos 7 a 14. Resumindo, ele diz que a Lei é boa, é justa, é santa e é espiritual, afinal, sabemos que a lei reflete o caráter do legislador. A Lei veio mostrar o que é o pecado (7). Mas nosso problema é nossa natureza pecaminosa, o pecado que habita em nossa mente e corpo, nossa carne, que foi posto em realce pela Lei (vs 8-11). Aqui Paulo explica aquilo que todos nós já sabemos: nós somos irresistivelmente atraídos pelo que é proibido! Todos temos exemplos disto, não é?
Paulo termina o capitulo 7, nos versos 14 a 24, com um desabafo que é, em minha opinião, muito consolador pra todos nós. Ele confessa que não consegue fazer o bem, mas acaba fazendo o mal que não quer. Ora, o apóstolo que todos admiramos, era gente como nós! Você não está sozinho nesta luta, meu irmão! Observe a angústia de Paulo neste texto, e veja se não parece uma descrição de sua própria vida nos últimos dias...
Esta dualidade entre bem e mal no íntimo do homem nos faz lembrar de tantas histórias que a humanidade conta, pra tentar explicar isto. Temos exemplos nas mitologias, na literatura clássica, na cultura pop. Pense em o Médico e o Monstro, pense no Lobisomem, no incrível Hulk... boas pessoas, gente instruída e desejosa de fazer coisas boas, mas que tem dentro de si um monstro, e que com certos estímulos, vem à tona, e fazem coisas horríveis, trazendo grande sofrimento pra todos. Estas narrativas são tentativas humanas de explicar o que Deus está falando aqui.
Mas de todas estas histórias, minha preferida é a da Bela e a Fera. Este conto de fadas nos diz que um belo príncipe, por causa de um ato egoísta, caiu debaixo de uma maldição, e tornou-se uma fera horrível, condenado a viver assim, recluso e odiado por todos, a não ser que ganhasse um beijo de amor verdadeiro. Um dia, aparece uma bela moça, a qual ele maltrata, mesmo a admirando e desejando, e no final, ela se apaixona por ele, dá-lhe um beijo de amor, e a maldição é quebrada. Todos os que viviam no castelo, e que também estavam amaldiçoados, e até as plantas e animais, voltam a desfrutar liberdade e alegria. A fera volta a ser um belo príncipe, que se casa com a Bela, e os dois são felizes para sempre.
O que teria acontecido se a Bela não tivesse aparecido? Ou se tivesse desistido de Fera, por causa de seu mau aspecto, e de sua brutalidade? O que seria de nós, se Jesus, nosso lindo Salvador, não tivesse aparecido em nossas vidas, ou se tivesse desistido de nós? Quantas vezes lhe demos razão para isto... nós éramos a Fera, e Jesus é nossa Bela. Ele veio até nós, e em nosso pior momento, quando estávamos debaixo de maldição, irreconhecíveis por causa do pecado, brutos e ignorantes, e nos amou! Seu toque de amor, seu beijo de salvação, sua vida derramada por nós finalmente nos libertou, e nos capacitou a voltar a ser príncipes e princesas de Deus, para sua glória! Aleluia!!!

Pr.Onésimo Ferraz e Renner Fidelis

domingo, 19 de setembro de 2010

ROMANOS 1 a 2

Estudaremos nas próximas semanas a carta de Paulo aos Romanos. Ela é um resumo do Evangelho e de toda a Bíblia. A carta de Paulo aos Romanos, como um todo, pode ser dividida em duas partes: uma parte doutrinária (capítulos 1 a 11) e outra prática (capítulos 12 a 16). Dentro da parte doutrinária, Paulo desenvolve de forma soberba seu tema de que o justo viverá pela fé, ou seja, aqueles que Deus considera quites com sua justiça, devem viver pela confiança em Cristo, deixando para a parte prática recomendações de santidade.
Vejamos os capítulos 1 e 2, com alguns comentários:
1:1 – Servo de Jesus: escravo. Poucas pessoas entendem hoje o que significa ser um servo ou ministro de Cristo: significa literalmente ser um escravo, à disposição dele para qualquer serviço, em qualquer hora e lugar. É assim que o apóstolo Paulo se vê. E nós?
1:16-17 – este é o tema da carta. Justificação pela fé. “Não me envergonho”: tenho orgulho.
Os versos 19 a 31 do cap. 1 são o resumo da história da humanidade.
21 Nem lhe deram graças. Um dos sintomas do afastamento de Deus é a incapacidade de reconhecer nele a autoria das bênçãos. Tornam-se arrogantes e autônomos. Seu coração se obscurece. 22 Distante de Deus, o homem tem a tendência de se achar sábio, sem perceber sua loucura. 23 Da adoração do Deus eterno, passam a servir a objetos, astros, e até mesmo a répteis, e não se dão conta do ridículo dessa situação. Acham que isso é sabedoria. 24 “Entregou”. Afastou-se. Deixou que os fatos sigam seu curso. C.S.Lewis disse uma vez que “os perdidos gozam para sempre da horrível liberdade que sempre pediram, e portanto estão escravizados por si mesmos”.
26-31 – uma lista de pecados que tornam o ser humano digno de morte, de acordo com a justiça de Deus. Se o critério for a “verdade” de cada um, essas coisas podem ser apenas opções, ou talvez desvios de conduta, mas na verdade de Deus, são pecados.
O capítulo 2 começa declarando que os que se fazem juízes dos outros são tão culpados quanto os que condenam.
O verso 4 contem uma importante verdade, a de que nosso arrependimento é produzido pela bondade de Deus.
No capítulo 2, dos versos 6 até o 29, Paulo discorre sobre a justiça de Deus e seus critérios pra julgar os homens. Deus irá julgar segundo a verdade (2), segundo os atos (6-11) e segundo o nível de revelação de Deus (12-15). Ele já havia deixado claro que Deus se revela aos homens pela natureza (1:20), pela Lei – ou seja, por sua Palavra (2:18) e pela consciência (2:14-15). No final de tudo, porém, o critério de justiça de Deus não é nada menos que Jesus Cristo (2:16).
O argumento de Paulo é que toda a humanidade é controlada pelo pecado, e se alguém tiver que ser salvo, será pela misericórdia de Deus, que proveu o Salvador.

ROMANOS 3 a 5
Vimos como Paulo mostra que Deus se revela a toda a humanidade, e que nenhum ser humano escapa dos critérios de justiça de Deus. Nem os pecadores, nem os que se julgam santos. A Lei nivela a todos, obedientes e desobedientes, como pecadores, que só podem ser justificados pela iniciativa do Deus que é justo, e bom. O apóstolo introduz isto logo no início, no capítulo 1, versos 16 e 17: Deus tem poder pra salvar com justiça àqueles que crêem.
Todos são pecadores, ninguém é justo (3:10-12)
A lei não justifica ninguém, ela só mostra o quão pecadores somos, e o quanto necessitamos de um Salvador (3:20-24). Interessante observar que a Lei transforma o pecado em transgressão (4:15). Ou seja, antes da Lei, havia pecado, mas quando Deus diz “não farás”, quem faz, além de pecar, está transgredindo, quebrando um mandamento, desrespeitando um limite.
3:28 – aqui Paulo afirma que o homem é justificado pela fé, não pela obediência à Lei, e passa a desenvolver este argumento. Veremos isto com mais profundidade mais à frente.
Precisamos agora entender algumas palavras teológicas que aparecem em Romanos:
3:24 – justificação: no sentido negativo significa que alguém não é culpado, e no sentido positivo Deus o declara justo, e isto é creditado (palavra que aparece várias vezes na epístola) a nós por causa de Cristo, o inocente que morreu pelo pecador. Deus considerou Cristo culpado na cruz, creditando a ele nosso pecado, e hoje nos considera justos, creditando a nós sua santidade.
Redenção: resgate de escravos. Significa que alguém vai ao mercado de escravos, compra um escravo e lhe dá a liberdade. Jesus pagou o resgate por nossas vidas com a única moeda que poderia comprar nossa liberdade: o sangue de um inocente!
3:25 – propiciação. Um sacrifício que aplaca a ira justa de Deus. No velho testamento, animais eram mortos para aplacar a ira de Deus, e evitar que os homens morressem. Mas esses sacrifícios eram apenas símbolos do verdadeiro sacrifício que ainda viria (e hoje já veio!), que era o do Cordeiro de Deus, Jesus. Quando Jesus morreu, Deus mesmo estava fazendo um sacrifício, não de um animal, mas de seu próprio Filho, para que fôssemos perdoados.
O caso de Abraão, apresentado no capítulo 4, é um exemplo de como Deus justifica pela fé, pois Abraão foi considerado justo antes da circuncisão, e da Lei, por causa de sua fé, como mostram os versículos 9 a 12.
O Deus da ressurreição: precisamos fazer um parêntese para apreciar a beleza e o impacto do verso 17 do capítulo 4!
Cap. 5 – 1 a 11: nossa história. Como Deus nos amou, hoje temos paz com Ele, e podemos nos alegrar, nos gloriar nas tribulações; não por causa delas (isto seria masoquismo), mas nelas, porque entendemos que Deus está trabalhando a nosso favor em tudo. Nós não vivemos um otimismo barato que decepciona, mas uma esperança bem fundamentada em nossa fé no amor do nosso Deus.
Aqui tem outra palavra importante: reconciliação. Antes éramos inimigos de Deus, agora somos amigos!
5:12 a 21: contraste entre Adão e Cristo, resumidos nos versos 12 e 18. Adão pecou e nos legou o pecado e a morte, Cristo nos justificou e trouxe vida a todos os homens (os que crêem, óbvio).
O capítulo 5 termina, com os versos 20 e 21, enfatizando que não importa quão abundante seja nosso pecado, a graça (favor imerecido, Deus nos dando o que não merecemos) é ainda mais abundante. Com isto, Paulo prepara o terreno para o que veremos a seguir.
Pr.Onésimo Ferraz

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Orações que devemos fazer

Deus está nos chamando a orar. Ele espera que sua igreja seja chamada casa de oração (Is 56:7). Nós já vimos como devemos orar, por quem devemos orar, e hoje veremos algumas orações que devemos fazer. Veremos isto estudando orações que Jesus e Paulo fizeram e ensinaram a fazer:
Mt 9:38 – Jesus nos mandou orar por mais trabalhadores (Lc 6:12-13). Precisamos orar por mais líderes de células, por mais anfitriões, por mais pessoas envolvidas em ministérios, por gente disposta a se gastar para servir a Deus e ampliar o reino.
Mt 26:41 – Jesus nos disse para orarmos para não cair em tentação. Em nossos dias esta oração é ainda mais necessária! Santidade se conquista orando.
Mc 9:29 – Jesus deixou claro que é preciso orar para libertar cativos. A falta de poder da igreja é resultado da falta de oração.
Jo 17 – a maior oração de Jesus que foi registrada é por uma única coisa: unidade! Isto mostra o quanto unidade é importante para o Senhor. Precisamos orar por unidade, e sermos a resposta desta oração.
E quanto a Paulo? Se analisarmos suas orações, veremos que ele não ora por crescimento da igreja, por prosperidade, por nada do que costumamos orar hoje. Ele basicamente ora para que a igreja tenha revelação de Jesus e seja cheia de amor. Observe:
Ef 1:15-19 – por revelação de Jesus para a igreja
Ef 3:14-19 – por revelação do amor de Jesus
Fp 1:19 – por mais amor
Cl 1:9-12 – por revelação da vontade de Deus
Vemos assim que o líder deveria orar para que seu rebanho tenha revelação de Deus. Se tivermos revelação, seremos transformados, e seremos vitoriosos.
Resumindo: a igreja precisa orar por unidade, por revelação, por santidade, por poder para libertar os oprimidos, e por mais trabalhadores. Estas são prioridades para Deus. Será que são pra nós? O quanto oramos por elas mostra se sim ou não.

Pr.Onésimo Ferraz e Pr.Renner Fidelis

terça-feira, 20 de abril de 2010

Pedir, buscar, bater

18/04 – Pedir, buscar, bater – Mt 7:7-11
Neste ensino, Jesus mostra que a oração é o modo como Deus quer que nos relacionemos com Ele, e o meio de buscarmos nele o suprimento de nossas necessidades.
Deus é retratado como nosso Pai, e sua bondade é colocada em evidência pelo contraste com nossa maldade. O argumento de Jesus é simples: se nós, seres imperfeitos, não damos a nossos filhos coisas que lhes façam mal, muito menos o Pai Celeste fará isto; Ele só nos dará coisas boas! Precisamos entender isto: Deus é bom! Deus nos ama e tem o melhor para nós. Ele é um pai perfeito. Ele só quer coisas boas para nós. Se pensarmos no melhor dos pais, um homem apaixonado por seus filhos, ainda estaremos longe de imaginar o amor do Pai Celeste. Ele dará bens aos seus filhos, simplesmente porque os ama! Deus tem muitos bens reservados para nós!!! Aleluia!!!
Mas nós temos que pedir. Não porque o Pai não saiba o que precisamos, mas porque Ele quer se relacionar conosco. Jesus garante que nossas orações serão respondidas. Mas temos que pedir, temos que buscar, temos que bater.
1. Pedir, no grego significa rogar, suplicar, como um viajante pede informação do caminho. Significa pedir insistentemente, especificamente.
2. Buscar significa investigar, perguntar, procurar algo de valor que foi perdido, ou que se deseja muito. Devemos buscar soluções, mudanças, respostas de Deus.
3. Bater significa chamar, golpear, agir fisicamente. É o que faz alguém que deseja entrar por uma porta que está fechada. Ele bate, ele força.
Estes três verbos transmitem a ideia de uma escala crescente de intensidade. Jesus ensina basicamente que se queremos algo de Deus, devemos ser intensos em nossa oração. Clamar com intensidade, pedir como quem realmente deseja receber. Será que oramos desta maneira? Somos realmente intensos ao pedir as coisas ao Pai Celeste? Muitas vezes oramos por orar, falamos da boca pra fora, não cremos realmente…
Jesus garante que o que pede, recebe (de Deus, é claro); o que busca, encontra (a Deus); e ao que bate, lhe será aberta (a porta que Jesus abre e que ninguém fecha). Em Marcos 10:46-52 temos o exemplo de um homem que pediu, buscou e bateu, até receber o seu pedido.
Bartimeu, cego mendigo, que vivia marginalizado, um dia sentiu a oportunidade de ter sua vida mudada: ele ouviu que Jesus passava por ali. Ele então começa a pedir que Jesus tivesse misericórdia dele. As pessoas o repreendem – porque sempre haverá alguém para tentar nos fazer desistir quando começamos a pedir algo a Deus, mas ele então começa a buscar, a clamar com mais intensidade. Quando Jesus o chama, ele então bate à porta, que é Jesus. Ele age fisicamente, ele se levanta, ele toma uma posição. Ele não fica só pedindo, ele tira de si a capa empoeirada de mendigo, e se levanta para falar com o Senhor. Este ato de tirar a capa, se levantar e ir ter com Jesus (v. 50) significa tanto! Significa abandonar velhas posturas, velhas identidades, velhas crenças, e tomar uma nova atitude, uma atitude de fé, de confiança, de ousadia, e ir encontrar com Jesus.
O Mestre lhe pergunta, que queres que eu te faça, não porque não soubesse, mas porque está testando a convicção e as prioridades de Bartimeu. Quantos cegos em nossos dias não diriam algo como: Mestre, eu queria uma casa no condomínio fechado? Ou talvez: Senhor, me dê um carro zero! Ou ainda: Senhor, me faça ganhar muito dinheiro! Estão cegos, mas tem outras prioridades. Mas não Bartimeu: ele sabia exatamente o que queria: Mestre, que eu torne a ver. Imediatamente Jesus lhe deu o que ele pediu.
Hoje estamos aqui para pedir, para buscar, para bater. Vamos fazer isto?

Pr.Onésimo Ferraz e Pr.Renner Fidelis

quarta-feira, 24 de março de 2010

COMO DEVEMOS ORAR

Mateus 6:9-14

9 Portanto, vós orareis assim:
Pai nosso, que estás nos céus,
santificado seja o teu nome;
10 venha o teu reino;
faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;
11 o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;
12 e perdoa-nos as nossas dívidas,
assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;
13 e não nos deixes cair em tentação;
mas livra-nos do mal
[pois teu é o reinod, o poder e a glória para sempre. Amém]!
14 Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará;
15 se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.

Orareis assim: Esta oração é formada com uma invocação inicial e sete petições. As três primeiras se referem a Deus (o teu nome, o teu reino, a tua vontade); as outras quatro se referem aos homens, com forma e sentido comunitários (nós).

A chamada oração do “Pai Nosso” deveria ser um estilo de vida pra nós, discípulos de Jesus, pois ele disse vós orareis assim. Infelizmente, nós não damos a ela a devida atenção. E quando lembramos dela, a usamos como uma reza, um amontoado de frases decoradas. Temos falhado em compreender e em orar como Jesus nos ensinou. Hoje estudaremos um pouco sobre o modelo de oração que Jesus nos deu, com a esperança de nos aproximarmos mais de nosso Pai que está no céu.
Nossa ênfase será no tema que está implícito em toda a oração: a santidade do Senhor.
O verdadeiro adorador compreende que Deus é santo. E assim, sua oração é permeada por humildade e arrependimento. Se há algo que não combina com oração é arrogância. Quando reconhecemos a santidade do Senhor, a única opção que nos resta é o arrependimento. Arrependimento é algo que as pessoas nao gostam. Arrependimento dói, humilha. Mas é algo tão fundamental que permeia toda a oração do Senhor. Veja:
9 Portanto, vós orareis assim:
Pai nosso, que estás nos céus,
santificado seja o teu nome;
Ou seja, que minha vida santifique o teu nome, que eu viva de modo digno do Senhor. Arrependo-me de envergonhar teu nome com minhas falhas.
10 venha o teu reino;
faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;
que tu sejas, de fato, Senhor, e chega de eu buscar minha vontade, eu escolho a tua.

11 o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;
Eu me arrependo de minha autossuficiência, eu reconheço que dependo do Senhor em tudo, o tempo todo.
12 e perdoa-nos as nossas dívidas,
assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;
eu me arrependo e confesso meus pecados.
13 e não nos deixes cair em tentação;
mas livra-nos do mal
Reconheço que sou fraco, pecador, sujeito a cair, se o Senhor não me guardar.
[pois teu é o reinod, o poder e a glória para sempre. Amém]!
Eu me arrependo de buscar estas três coisas que pertencem só a ti!

A primeira coisa de que devemos nos arrepender é por orarmos tão pouco, e tão mal, com tantos motivos errados.
Jesus disse orareis, mas não oramos. Ele disse, orareis assim, mas oramos de outras formas; ele nos deu o conteúdo da oração, mas estamos preocupados em pedir outras coisas. Misericórdia!!!
Segundo, devemos entender que o arrependimento é o caminho pra vermos a glória de Deus se manifestando em nossas vidas. Veja Hb 12:14. Este texto pode significar que sem santidade, não iremos pro céu, nunca veremos o Senhor. Ou ainda, que sem santidade ninguém o verá em nossa vida; ou talvez signifique que sem santidade, não veremos a glória do Senhor se manifestando em nossas vidas. Pessoalmente, acredito nas três interpretações.
Terceiro, a oração é coletiva. Os verbos estão no plural. Assim, o arrependimento não deve ser algo apenas pessoal, mas coletivo. Não somos chamados a nos arrepender apenas por nossos pecados individuais, mas pelos pecados de nossas famílias, de nossa nação, de nossa geração, de nossos irmãos. Se estudarmos as orações dos profetas, veremos que eles sempre oravam arrependendo-se por seus antepassados, por sua nação (veja Dn 9). Nesses dias, creio que Deus está nos chamando a chorarmos e arrependermos por tantos pecados que temos cometido individualmente; confessarmos os pecados da igreja do Senhor; confessarmos os pecados de nossas famílias (quais são os pecados mais comuns em sua família?); confessarmos os pecados de nossa cidade, de nossa nação, de nossa geração!
Se começarmos a orar humildemente, expressando o genuíno arrependimento, veremos a glória do Senhor como nunca vimos (II Cr 7:14). Quem está disposto a orar como Jesus nos ensinou? Quem está disposto a arrepender-se por sua falta de oração, por suas orações erradas, por seus pecados, e pelos pecados do nosso povo?
Pr.Onésimo Ferraz e Renner Fidelis